Introspectre: Violent Youth


Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Não, o título do post é só uma música do Crystal Castles, não tem nada de violento aqui hoje não. Eu acho.

Enfim, enquanto tava digitando, percebi que o post ia ficar mais comprido do que imaginei, então vou dividi-lo em duas partes. É bem provável que a segunda parte saia na primeira semana de fevereiro, já que nesse finzinho de mês (gente, janeiro já tá no fim e onde estive esse tempo todo?????) vai servir só pra postar as coisas pendentes. Mas juro que vou trazer mais posts pessoais a partir de fevereiro, ok?

Eu tenho pensado bastante nisso e cada vez que eu penso, mais heart attacks acontecem e mais eu fico surpresa: nos últimos tempos (ou seja, nos últimos meses), o tipo de texto que mais tenho escrito é post pro blog. Não é poesia, não é conto, nem fic nem one shot (tá, talvez alguns one shots), só rascunho de post. Ainda não decidi se isso é bom ou ruim, levando em conta que eu trabalho com base em vibes e lapsos aleatórios de energia criativa, mas enquanto decido, deixa eu te falar uma coisa.

Acredito que grande parte do povo que passa por esse blog seja jovem – digo, cronologicamente jovem, assim como eu, que faço 24 anos em agosto – e por isso é provável que eu encontre entre vcs pessoas que vão entender esse post de ponta a ponta. E mesmo que vc não seja tão jovem, fica aí e lê também, vai que vc entende. Também, quem passa por aqui há mais tempo deve estar se perguntando pq esse post tá na categoria pessoal e não na de opinião. Simples: pq o assunto diz respeito não só aos leitores (ou a uma parcela deles), mas diretamente a mim.

Falando de modo direto, eu vim dizer que não é só gente idosa que sofre com preconceito e outros males por conta da idade. Jovem também sofre. Se vc, jovem ou não, não acredita, então pare e conte quantas vezes vc já viu ou ouviu alguém jovem que tá procurando emprego dizendo que não encontra um lugar que o aceite por falta de experiência. Isso só pra citar um caso clássico, e como vcs estão cansados de ver esse caso clássico, nem vou me alongar aqui.

Antes de tudo, eu andei conversando com o povo no facebook sobre algumas situações chatas e até absurdas que eles passaram simplesmente por serem jovens, então nem tudo nesse post se baseia na minha experiência, mas nem por isso deixei de sentir como se tudo tivesse sido comigo. Eu também não tenho a intenção de ofender ninguém aqui, mas se vc ficou um tantinho incomodado, pode ser que o post tenha alcançado seu objetivo, então allons-Y!



Primeiro de tudo, quando vc é jovem, precisa falar "mais alto" pra ser ouvido

Começa quando vc é criança. Mesmo que vc tenha sido o que as pessoas grandes chamam de criança comportadinha, vc deve se lembrar de ter sido interrompido ou de não ter sido levado a sério por quem te escutava, ainda que o que vc estivesse falando fosse importante. Mais tarde, quando vc é adolescente, pode ser que as pessoas te interrompam menos (ou pode ser que não), mas elas tem a estranha tendência de imaginar que vc tem o hábito de pintar o boi maior do que ele é dramatizar tudo, especialmente se vc estivesse falando de algo sério. E a sina te persegue enquanto vc é um jovem adulto (por questão de conveniência, "jovem adulto" nesse post vai se referir a quem tá na faixa dos 20). Verdade, todo mundo passa por isso, até eu passei.

Se tem coisa que me irrita mais do que ser interrompida quando tô falando (isso me irrita mais do que eu posso te explicar por meio de um post), essa coisa é não ser levada a sério por quem me escuta. Existe uma ideia (ridícula, diga-se de passagem) de que pessoas mais novas costumam seguir a lógica binária: ou se importam demais a ponto de dramatizar ou não se importam nem um pouco. 
Eu não se quem já não é mais jovem se lembra de ter passado pelo mesmo, mas parece que não existe muita empatia da parte deles, salvo algumas exceções, já que são os mais velhos que costumam repetir esse conceito e ignorar o que vem de quem tem menos tempo de vida.

Pois eu vou explicar uma coisa pra vc, jovem ou não, que acredita nisso: o binário aqui é vc. É, e sendo uma pessoa binária, a única coisa que vc sabe fazer é aplicar essa lógica em tudo.

Uma verdade é que crianças são parcialmente binárias pq ainda não aprenderam o sentido de pensamento abstrato, mas elas possuem um senso de justiça muito forte e se apegam aos valores que são ensinados pelos pais, o que inclui ouvir com atenção enquanto alguém fala (no caso, se vc é uma pessoa educada, deve ter ensinado isso pro seu filho) e não debochar de ninguém. Quando vc faz com a criança exatamente o que vc diz pra ela não fazer, isso destrói pouco a pouco o senso de certo e errado que ela ainda não havia terminado de construir.

Outra verdade é que adolescentes sabem sim o que é pensamento abstrato, e o exercitam o tempo todo. Vc não pode simplesmente achar que dizer a um adolescente o que fazer ou não sem uma explicação clara é o suficiente. Também não precisa ter medo de tratar com ele sobre assuntos complexos por receio de que ele não vá te compreender. Adolescente não é burro. Ele está amadurecendo, e como isso não é coisa que aconteça de uma hora pra outra que nem com banana no verão, não adianta apressar as coisas. Cada um tem seu tempo, e eu imagino que vc não tenha acordado de um dia pro outro sabendo tudo o que sabe agora.

Um jovem adulto já passou por tudo isso e por mais coisas do que vc pode imaginar, então por favor, se vc viu alguém se tornar um adulto, não o trate como se ele ainda tivesse 5 anos. Não tem necessidade de fazer aquela cara de OOOOHHHH quando ele chegar pra vc com alguma ~conversa de adulto. Isso é muito desagradável. Aceite que o tempo passa e tenha um pouco de empatia.


Cena do filme Jane Eyre (2011)

Quando vc é jovem, precisa trabalhar dobrado pra receber crédito

A não ser que vc tenha entrado num emprego onde o perfil médio é jovem, vc já deve ter reparado nisso. Não importa se vc é estagiário, aprendiz ou tá num trabalho "normal", é possível que seu superior ainda tenha receio de delegar algumas responsabilidades pra vc em razão da sua idade, mesmo que vc já tenha mostrado que pode cumprir com as tais responsabilidades sem nenhuma dificuldade adicional, assim como seus colegas mais velhos.

Existe uma espécie de ideia fixa de que quando se é jovem, também se é inevitavelmente irresponsável. Absurdo, claro. Se vc soubesse o tanto de velho pessoa ~madura com nem um pingo de responsa que eu encontrei na vida, vc não ia acreditar. E eu tô falando de gente empregada, com filho e tudo. Aliás, isso não é o que vc chamaria de maturidade, pelo menos eu espero que não.

Essa generalização - junto com a crença também absurda de que todo jovem opera com uma pequena porcentagem de sua capacidade - atrapalha mais do que vc pode supor, especialmente no âmbito profissional. Como assim? Muita gente tem seus primeiros empregos no ramo de prestação de serviços, onde coisas como honestidade e competência são essenciais, pra citar o básico. Uma das pessoas com quem eu conversei, o Rodrigo, disse que vira e mexe passa por situações onde os clientes ficam com receio de deixá-lo "trabalhar em paz", sem precisar ficar em cima o tempo todo, imaginando que ele "não saiba muito bem o que está fazendo" só por ser novo, e até mesmo duvidando da sua honestidade. Triste.

Não é só com ele que isso acontece, infelizmente. E mesmo quando vc se sai bem e todo mundo enxerga isso, sempre tem aquela história de "apesar da pouca idade", apesar disso, apesar daquilo, como se a sua idade fosse uma deficiência, que só existe pra te atrasar. Mas se até deficiências podem ser superadas ou contornadas?

Mas é o seguinte: vc nunca vai conseguir confiar em ninguém se não der uma chance, não interessa se tá lidando com jovem ou velho. E subestimar uma pessoa por causa do seu tempo de vida é a pior coisa que vc pode fazer com alguém que tá ali pra te prestar um serviço. Se ela não tivesse o mínimo de competência, provavelmente não estaria ali. E como vc deve saber (vc deve saber de tudo, pelo visto), experiência, em qualquer função, não vem de um dia pro outro. Só vem com o tempo, e só vem se vc deixar a pessoa trabalhar.

E essa é a primeira parte da pequena série Violent Youth ^^ Eu não esperava manter esse título, mas agora é tarde pra achar outro. De qualquer forma, espero que vcs tenham se sentido confortados, que tenham se identificado com alguma situação e caso estejam "do outro lado", que tenham entendido que é preciso melhorar esses conceitos aí. E se vc tem algo a acrescentar, uma experiência ou coisa do tipo, me falem nos comentários!

Um beijo e até o próximo post (que não vai ser a parte 2, ainda)! =)




Comentários

  1. Faz um tempinho que não entro aqui. Seu blog continua uma amor <3

    Sobre seu post, mais que verdadeiro sim! Muita gente acha que a nossa geração de jovens não passa de um bando de mal-educados e bobos, mas a verdade é que nem todo mundo é assim e acaba caindo naquela panelinha de que os adolescentes não sabem fazer nada, não podem ter opinião por serem "muito jovens" ou que tem a obrigação de se sacrificar ao limite para provar seu valor. Isso é tão ruim :(

    Estou curiosa para ver o parte 2 do post <3

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    1. Nossa, Luh, tava com saudade de tu, mesmo hahahaha E o teu blog também é um amor!
      A gente vive num mundo que como dizia o Renato Russo, a primeira vez é sempre a última chance. Acontece que quando a gente é jovem, tá começado no mundo, então os erros vão acontecer com mais frequência. É óbvio, até normal. Mas desde cedo quem tá ao redor, seja pais, professores, treinadores, etc, começa cobrar perfeição e a querer decidir a vida pelo jovem, em vez de ensiná-lo a ser responsável e autônomo. O resultado é esse, de um lado um monte de jovem desmotivado e que não aprendeu a fazer nada, e do outro jovens que sabem o que querem, trabalham por isso mas não recebem apoio e ainda tem que lutar com a pressão dos outros pra abandonar seus sonhos. É bem triste mesmo </3
      Ah, a parte 2 sai ainda no começo de fevereiro ;)
      Um beijo!

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  2. Olá, um prazer conhecer seu blog.
    Achei o post muito, mas muito realista! Todas as palavras caíram muito bem.
    Continue assim, esperando já a 2° parte.
    Um beijo e sucesso

    www.esteticando-se.com

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    1. E é um prazer ter a sua visita, Emanuelly!
      Esse post é um que eu tava querendo fazer há tempos e ter conversado com outras pessoas me ajudou muito. é reconfortante saber que quem passa por aqui consegue se identificar, e espero que não sinta que está sozinha com isso!
      A segunda parte sairá em breve ;)
      Um beijo!

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  3. Às vezes eu acho que a gente nunca vai ter a idade ideal... Quando você é criança te tratam como incapaz e aí a "terceira idade" chega e o ciclo se repete... Uns dizem que vinte e poucos é jovem e sem experiência pra um emprego, aí você tem trinta e poucos e já tá velho demais pra acompanhar as coisas. No fim das contas a gente sempre vai ter um problema com a idade, infelizmente.
    Eu senti muito disso que você falou quando entrei na faculdade. Minha turma era quase toda feita de pessoas que já tinham outras graduações e eu era adolescentezinha recém saída do colégio, demorei ANOS pra ser levada a sério... Tudo triste, muito triste...

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    1. Luly, enquanto escrevia esse post, pensava em 1001 coisas, inclusive nisso. Aliás, é o que sempre penso quando vejo coisas sobre emprego e "oportunidades" no noticiário. Se vc é jovem, não serve pq não é experiente, mas se é velho, não serve pq é velho. Oi? Eu não fui pra faculdade como vc, mas imagino que tenha sido tenso. As pessoas ficam medindo umas às outras pelo tempo de vida e se esquecem do que é preciso fazer durante esse tempo, sabe? Tá na hora de parar com isso e mostrar um pouco mais de respeito </3
      Um beijo!

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