Introspectre: O dia em que me reafirmei como peculiar


Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Não, apesar do título esse não é um post sobre algum vídeo do Whindersson Nunes, mas sobre a aventura que eu tive no sábado na companhia de algumas pessoas... peculiares.

Começou que eu acordei e não tinha ideia do que vestir, primeiro porque o tempo andava meio indeciso, como quase sempre acontece em SP: não tinha certeza se ia ser de sol e calor ou sol entre nuvens e vento frio. Além do que, eu iria sozinha e queria parecer o mais peculiar possível. Então acabei achando um meio termo entre roupa de inverno e roupa de verão. Arrumei a bolsa e tudo mais e saí.

Quem depende de ônibus como esta que vos escreve sabe que é bom sair com antecedência, e tive a sorte de pegar lugares na maior parte do trajeto, o que facilitou em muito minha vida com os fones de ouvido, já que de pé e com ônibus cheio é complicado mudar de música quando o modo aleatório não colabora com o teu humor.

Cheguei no shopping, consegui uma poltrona num lugar razoável e fui esperar dar a hora da sessão na companhia de um sorvete de casquinha (que anda muito caro pro meu gosto, mas deixa quieto). Fiquei lá sentada num daqueles banquinhos de praça que ficam no meio dos corredores e vi pessoas de todo tipo passando na direção da bilheteria. Isso me fez pensar em quem me acompanharia naquela aventura: seriam aquelas crianças escandalosas que têm invadido as sessões de filmes de heróis nos últimos tempos ou um bando de adultos que foram peculiares na infância e cresceram com Nightmare Before Christmas querendo matar as saudades? Eu não tinha ideia.


Quando chegou a hora, fui pra fila e então pude visualizar os meus companheiros de sessão. Tinha adolescente. Tinha pais com criança. Tinha adulto jovem, como eu. E adulto não tão jovem também. Quando tava sentada na minha poltrona, vi um casal de idosos entrando na sala. Um público incrivelmente heterogêneo. Eu esperava ver algum alternativo pelo meio, mas os alternativos devem ter deixado pra ir à noite (ou foram logo na semana da estreia), mas aquilo já era alternatividade suficiente. O tipo de coisa que se espera em filme do seu Tim Burton.

Estou lá sentada vendo os trailers legendados e aproveitando seus breves minutos para apreciar as vozes originais dos atores, já que filme legendado em cinema está se tornando bicho raro por aqui, quando finalmente temos a abertura da Fox (que sou a única pessoa nesse planeta que acha uma coisa chatíssima) e a introdução do filme com aquela música que me faz lembrar exatamente por que eu gosto tanto dos trabalhos do Burton.

Eu tenho que dizer que achei esse filme muito diferente dos outros, por vários motivos, mas pra citar alguns:

O Lar das Crianças Peculiares, apesar da temática, não é tão caricatural quanto a maioria dos filmes do Tim. Não sei vcs, mas eu não achei, e confesso que senti falta disso em diversos momentos. O que vc vai ver de mais caricatural ali são os Etéreos, que logo na primeira aparição quase me fizeram gritar Ó O SLENDEEERRRR, o visual e os trejeitos do Acólito Sr. Samuel Barron Jackson e a própria Srta. Peregrine, como não podia deixar de ser. Em algum momento, fiquei me perguntando também pq ninguém se preocupou em colocar umas luvas e uns óculos steampunk no Enoch enquanto ele fazia as experiências com as bonecas, já que uma coisa assim funcionaria tão bem num filme como esse. Esperava algo mais próximo da Fantástica Fábrica de Chocolate, mas pode ser paranoia minha. Mas isso não deixa o filme ruim, não.

Por outro lado, essa diminuição na dose caricatural abriu espaço pra um realismo que ao mesmo tempo que espanta, emociona.

Só quem não tem coração não sentiu aquele aperto no peito //S P O I L E R// na cena da despedida da Srta. Peregrine //S P O I L E R//. Essa foi a minha cena preferida, pq foi aí que eu entendi a razão de a Eva Green ter sido a única escolha possível pra esse papel: prestem atenção naquele misto de discrição e de emoção gritante que só a Eva sabe reproduzir momentos antes de ela fechar a porta, que faria qualquer pessoa pensar “Não, eu tenho que lutar ao lado dela, ela não precisa fazer isso sozinha”, que num segundo, depois da porta fechada, se transforma num olhar penetrante e gelado, um recadinho claro pro seu Barron avisando que aquela é a última treta que ele vai arranjar naquela fenda temporal.

Lembro até que tinha um menininho sentado na mesma fileira que eu junto da tia, e nessa hora ele perguntou “Ela vai morrer?” de um jeitinho tão fofinho que até vontade de rir.


Antes de tudo, eu peço que vcs não alimentem os trolls que saíram por aí falando mal do filme e que não entendem a diferença entre reprodução e adaptação. O Lar é divertido como filme separado. É claro que quem leu os livros vai sentir falta de uma parte ou outra da história e não vai engolir fácil as alterações, só que toda adaptação tem dessas e nem adianta a gente bater o pé por conta disso. Sad but true.

Foi um tempinho bem tranquilo que passei naquela sala, tanto pq tava sozinha e sem os famosos conversadores ao redor soltando spoilers a cada minuto nem comparando com o livro, quanto pq não tinha tanta ação quanto Alice In Wonderland (até hoje me dói lembrar que eu não vi o Através do Espelho). Tanto que quando acabou, eu fiquei tipo “Ah, mas já?”, e acabei me demorando um pouco na sala, esticando os braços, ligando o celular e ouvindo um pouco da música da Florence que ficou pro encerramento.

O final, claro, deixou em aberto a possibilidade de outro filme, já que os livros são uma trilogia, e até resolverem fazer o segundo vai ter tempo suficiente pra eu me atualizar e ler os outros dois livros.

Só sei que saí do cinema me sentindo um pouco mais peculiar, um pouco mais eu, por ter passado aquelas duas horas e pouco de um jeito tão doce e sossegado em outro mundo na companhia de pessoas tão diferentes entre si.

E senti até que posso aprender a ser um pouco mais paciente com crianças.


Um beijo e até o próximo post! =)



Comentários

  1. AAAAAAAHHHH! Eu necessito ver este filme! Tim Burton é excepcional mesmo fazendo um filme sobre mosquitos. E sobre Alice Através dos Espelhos: É MARAVILHOSO! E você vai amar tanto quanto amou o primeiro. Ótima resenha!

    Beijos
    Karolini
    womenrocker.blogspot.com

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    1. Já pensou um filme dele sobre um ataque mundial liderado por mosquitos? HAHAHAHAHA Depois vou procurar Através do Espelho pq preciso saber como a história do primeiro filme continua! E viu, assiste sim esse daqui que tá muito bom!
      Um beijo!

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  2. Olha, pra mim, que li os três livros recentemente, foi uma decepção. Sério. Jacob tendo um romance com a Olive? A Emma se engraçando com o Enoch? Tim Burton é um ótimo diretor, mas nesse filme ele não se deu o trabalho de ler a história! !

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    1. Pois então, Lihz, essa foi uma das coisas que me chatearam no filme, a troca dos nomes/peculiaridades das duas meninas. mas é aquele negócio né, é uma adaptação e adaptação tem dessas "picaretagens" hahaha Já sabia da troca, então preferi não pensar muito nisso, e pra falar a verdade tava mais interessada na atuação da Eva Green *0* Quanto ao lance com o Enoch, pra mim tanto faz, pq eu nunca presto atenção em casalzinho, sabe?
      Um beijo!

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