Moda: Bizarrices fashion que persistem no século XXI - parte 2



Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Primeiro de tudo, quero dizer que estou MUITO aliviada por ter finalmente liberado esse post. Ele é o segundo da série ~reflexiva~ sobre moda que falei há 84 anos muito tempo, mas se vc tá chegando por aqui agora e não viu o primeiro, vai lá ver e depois volta aqui. Lá tem o significado de algumas expressões como mainstream e massificação, que talvez pareçam coisa de outro mundo pra quem não tá acostumado a ler textos sobre moda. Por isso, se essa for a sua situação eu aconselho vc a ler pra não ficar perdido.

E resumindo um pouco pra refrescar a memória de quem viu, no outro post eu tinha falado sobre como a falta de informação e/ou a propagação de informações incorretas sobre moda afetam o ponto de vista de muita gente, e em como isso contribui pra divulgação de padrões/conceitos absurdos e ilógicos sobre beleza.

Essa situação abre espaço pra outros males que persistem no nosso século, entre esses a massificação de produtos por parte do mainstream e o desperdício de ideias.




No mainstream, as coisas mudam tão rápido que a gente chega a se perguntar se tudo tá mesmo acelerado ou se é a gente que é lerda e não consegue acompanhar. Todo ano tem coleção nova, de "outono/inverno" e de "primavera/verão", que é uma divisão bastante simplificada. Mas vc já reparou que nas lojas de departamento chega coisa nova toda semana?! Não é à toa que aquilo que a gente encontra nessas lojas seja chamado de fast fashion. Só que as ideias – digo, as boas ideias – não surgem assim, de uma hora pra outra, por isso é natural que em algum momento surja dificuldades em conciliar a criatividade (essencial pra existência da novidade) com a velocidade em que as coisas se transformam.

Pensando nisso, o caminho mais lucrativo para a indústria mainstream acaba sendo a massificação da vestimenta (a massificação é uma cria da Revolução Industrial, mas isso é assunto pra outra hora). Apesar de vez por outra a gente ler notícias sobre marcas que ganharam muito inovando aqui e ali, vender produtos em série infelizmente ainda é o jeito mais rápido de uma empresa faturar.

É por isso que quando vc entra numa loja de departamento, em vez de encontrar uma ou duas peças de cada tipo (como costuma ser nas boutiques, por exemplo), vc se depara com uma arara abarrotada de peças idênticas, com no mínimo três ou quatro variações de cor e uma ou duas variações de estampa. Achar peça exclusiva, única, numa Riachuelo da vida toda semana seria inviável em razão das circunstâncias.




Essas peças massificadas têm um outro lado que todo mundo conhece mas que ninguém gosta de comentar, que é a origem: muitas delas são produzidas por pessoas de baixa renda de países em desenvolvimento e enviadas para as lojas em várias partes do mundo pra que vc pegue uma e vista no próximo passeio sem pensar muito sobre isso. O caminho que ela percorre desde o corte e a costura até a sua sacola é enorme e cheio de trancos, mas a verdade é que a gente não tem como conhecê-lo 100%. Nada de informação, nada de conceito, nenhuma consideração pelas preferências e circunstâncias dos clientes e absolutamente nenhuma palavra sobre a origem da coisa. Só cópia da cópia da cópia. Sad but true.

Então esse é um problema sem solução? tudo o que a gente pode fazer é calar a boca e continuar comprando? Não necessariamente. É só vc lembrar que as empresas dependem do posicionamento de seus clientes para alterar o seu próprio e oferecer produtos de acordo com uma nova mentalidade. Tem sido assim desde sempre, mas nem todo mundo para pra pensar nisso. Isso quer dizer que pra um novo jeito de consumir se popularizar, as pessoas precisam perder o medo de expor suas preferências e cobrar isso dos fabricantes, fazê-los ver que uma transformação no método de trabalho se faz necessária. A maioria das empresas só segue o caminho lucro, e elas não vão mudar por conta própria, sem nenhum tipo de pressão por parte dos consumidores. Entenda isso.

As pessoas (e as empresas) que estão mudando seus conceitos ainda são poucas, mas já estão fazendo alguma diferença. Vc já deve ter ouvido falar de moda sustentável e slow fashion, certo? As lojas que seguem essa linha fazem o contrário das marcas tradicionais no que diz respeito à produção, e têm uma política de aproveitamento máximo da matéria prima, para minimizar os danos ao meio ambiente, além de oferecer produtos bonitos e diferenciados. É bom saber que, apesar de lentamente, mais e mais pessoas estão repensando sua maneira de comprar e estão vendo que o modelo de consumo imposto pela maior parte das marcas é prejudicial e ultrapassado.

Seria muito legal se mais e mais lojas adotassem esses conceitos, não? Só que pra isso acontecer, como ficou evidente um pouco acima, as pessoas precisam se reeducar em relação ao que compram, e acho que todo mundo aqui sabe como é difícil mudar o modo de pensar depois de anos recebendo o mesmo tipo de informação retrógrada, além da correria que é a nossa vida, o que dificulta e muito vc achar um tempo pra examinar seu guarda roupa antes de cada compra.

Só que essa não é uma tarefa impossível, não. Em nível pessoal, todo mundo é capaz de alguma transformação. Analise suas necessidades, seus hábitos e suas preferências e use essas informações pra encontrar um estilo de consumo que funcione pra vc. Não pense só no agora, mas entenda que pensamento a longo prazo é fundamental: vale a pena gastar com peças de baixa qualidade produzidas por empresas que não estão nem um pouco preocupadas com os impactos de suas atividades sobre a natureza? Será que vc pode reaproveitar e customizar peças antigas antes de conseguir novas? Converse sobre isso com as pessoas à sua volta. Se elas perceberem que sua reeducação de consumo é prática, inteligente e econômica, é mais provável que elas sigam seu exemplo.


Um beijo, boas compras e até o próximo post! =)


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Comentários

  1. Que post incrível! Eu nunca tinha parado pra pensar nisso, mas é o que realmente acontece. Fico de cara quando vou numa fast fashion e a mesma estampa tem um vestido, uma blusa, uma saia, um shorts! TUDO IGUAL, SEMPRE!

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    1. E a diversidade fica onde, né? Dá um aperto no coração ver esse tipo de coisa ahahahaha
      Um beijo!

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  2. Oi Deborah! Adorei seu texto. Nossa, a moda muda tão rápido, que é super difícil acompanhar. Cada vez fica mais difícil comprar o que está na moda e comprar algo que você vai ver em outra ao virar a esquina e em outra ao ir ao supermercado. Difícil mesmo. Tem uma loja aqui no Rio, que eu nunca compro nada, porque sei que vou ver a mesma roupa em todo mundo. Além disso, sempre opto por gastar mais um pouco mas comprar algo de qualidade e não só pq está na modinha.
    Bejinhos!

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    1. Pois é, xará, muda rápido demais! E é por isso que gosto tanto da moda alternativa, que é um pouco mais lenta em questão de novidade porém muito mais rica em questão de conteúdo! Não é á toa que muito do que a gente vê hj nessas lojas mainstream saiu de algum armário alt da vida hahaha E essa repetição de peça tá acontecendo até em loja de roupa de festa, ou seja, tá beirando o ridículo. Também conheço umas lojas assim por aqui em Jundiaí e evito comprar nelas! Sem contar que nada substitui a qualidade, né?
      Um beijo!

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  3. Parabéns neste texto!
    Me esclareceu alguns termos que não sabia exatamente o que eram, só tinha ideia.
    Sobre o consumo consciente, é muito bom reaproveitar as roupas, pois moda vai e vem. :*

    www.brilhamiga.blogspot.com.br

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    1. Tem uns termos que bugam a cabeça da gente de vez em quando mesmo hahaha Esses daí são os poucos que conheço por conta de pesquisas. E aproveitar roupas é um negócio maravilhoso, tanto pq vc economiza quanto pq acaba se conhecendo um pouco melhor, resgatando coisas que estavam lá esquecidas mas que ainda lhe representam...
      Um beijo!

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  4. Exemplo de loja é a RIACHUELO , você encontra diversas peças porém com a mesma estampa
    por isso que evito ao máximo ir nessas lojas porque sei que não terá tantas opções de estampas .

    Bela explicação , não estava por dentro desses assuntos .

    Obrigada por compartilhar .

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    1. Bom, eu mencionei a Riachuelo no post por brincadeira, mas é verdade. Não tem tanta variedade quando deveria. Aliás, vc leu tudo e viu que eu mencionei justamente essa loja?

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  5. Excelente post, poderia ficar batendo um papo de horas aqui sobre isso com você, adoro essas "polêmicas" do mundo fashion. A massificação é o mal do século né? E o pior é que como você disse, isso prejudica o andar da carruagem da criação, porque ninguém em sã consciência consegue criar algo novo nesse ritmo alucinado que vem tomando conta. Tem muito do capitalismo embutido nisso tudo, mas vejo muito também como uma característica dessa era digial que vivemos: tudo para ontem, novidades a todo momento. Isso faz um mal do caramba para a cadeia produtiva da moda, porque acaba que algumas marcas tentam acompanhar a rapidez do fast fashion, não conseguem, perdem a qualidade e surge ai o ciclo vicioso. Se a moda não parar para repensar seus meios de produção e se o consumidor não passar a olhar com carinho para aquilo que compra, vai entrar em colapso. Fico feliz que na contramão disso tudo venha crescendo mais marcas de consumo consciente, preocupadas com o meio ambiente e mudando a visão de consumo. Mas como você disse, o consumidor precisa repensar a maneira de consumir e cobrar um posicionamento das empresas também, se não fica realmente difícil. Esse é um assunto que precisa MUITO ser debatido!

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    1. Esse assunto rende tanto que é impossível tratar dele por completo numa única conversa hahaha Mas esse post é mais um resumo de tudo o que eu tenho visto por aí. A massificação é uma droga, mas ela continua existindo pq tem alguém lucrando com ela, e o posicionamento do consumidor é um dos, senão o principal fator. Mundialmente falando, e em especial entre as gerações mais novas, os estilos pessoais são extremamente "líquidos", mudam com tanta facilidade e rapidez que a gente até se assusta, e além disso são como uma colcha de retalhos, várias referências fragmentadas e unidas num lugar só, mas com pouca ligação com os conceitos originais de cada uma delas. Por outro lado, ao menos no Brasil, o consumidor ainda é bastante conservador, principalmente as mulheres, pois parece que elas ainda dependem da opinião alheia e da massificação pra se sentirem seguras. Como resultado, ousadia e originalidade ficam relegadas ao rótulo de "coisa pra adolescente", e isso é muito chato.
      qualquer dia desses a gente se junta e discute mais sobre o tema!
      Um beijo!!

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  6. o que falar desse post que é tão amor???
    falou e disse! nao terminei meu bacharelado em moda, mas todos os professores nos falavam sobre isso, pra gente tentar ver esse lado do mercado. claro que uma pessoa nao vai conseguir mudar uma empresa, até por que temos que pagar nossas contas e nao da pra sair recusando tudo que é emprego pela empresa nao "pensar" no meio ambiente, mas começando por habitos pessoais, as coisas vão mudando e sabendo desse ponto de vista, o profissional ja entra no mercado de trabalho com outra cabeça!

    adorei o post, como sempre hahahaha
    beijos

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    1. Ahhh que bom que tu gostou, Nana! <3
      Parece que tem sempre uma disputa terrível entre a melhor maneira de fazer as cosias e a melhor maneira de lucrar, né? Os dois podem andar de mãos dadas, mas isso depende muito da cabeça das pessoas que dirigem a empresa, e a gente sabe que mudar pra algo novo não é fácil e leva tempo, afinal, as pessoas que formam as empresas tem seus defeitos e preconceitos assim como nós. Mas já que a gente não pode mudar as coisas de uma hora pra outra em grande escala,, o melhor a fazer é nos concentrar naquilo que podemos mudar, que são as nossas vidas! ^^
      um beijo!

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