Moda: Bizarrices fashion que persistem no século XXI - parte 1




Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Eu tô muito feliz em dizer que a tosse finalmente me deixou e agora sim vou poder curtir os dias de inverno finlandês como se deve usando o suéter ~rosa shock~ da minha mãe (como de fato estou enquanto escrevo esse post) e tomando café na cozinha gelada com cheiro de sopa misturada com pipoca de micro-ondas (como de fato fiz há uns dias, mas não sei se vai rolar de novo). Parece sobrenatural, mas na minha cozinha tem dessas coisas.

Enfim, hj eu vim trazer a primeira parte de uma série (que eu nem sei se pode chamar de série) de posts onde eu falo sobre umas coisas bizarras relacionadas a moda que deveriam ter ficado no século passado, mas que infelizmente os maus hábitos sociais fizeram o favor de trazer pro século atual.

Esse post originalmente era um rascunho pra uma blogagem coletiva, mas como o prazo dela acabou e eu não tô afim de postar coisa atrasada, resolvi incorporá-lo numa ideia de post reflexivo sobre moda que eu já tinha guardada aqui muito antes de a BC surgir, só que não tinha colocado nada no papel. O tema que eu ia abordar era "5 coisas que eu odeio em moda", e as coisas eram essas: 1- falta de informação/ informação incorreta; 2- conceitos distorcidos sobre beleza; 3- massificação resultando em desperdício de ideias; 4- preço alto e qualidade baixa; 5- consumo desenfreado.

Eu vou tentar falar de tudo isso nesses posts, e nesse primeiro o assunto vai ser a questão da informação que leva diretamente à questão da beleza.


Mas pra vc que não costuma ler coisas sobre moda, um mini glossário antes de começar o post propriamente dito:

Mainstream: se refere à moda ou à cultura dominante. Tudo o que é socialmente encarado como normal. W A R N I N G: seguir o mainstream é uma faca de dois gumes.

Moda alternativa: é como um oposto, ou uma ~alternativa~ à moda mainstream. É tudo o que não é encarado como popular. Inclui a moda seguida por membros de subculturas (punks, emos, góticos, grunge etc etc etc), o estilo pessoal de pessoas que fogem à regra do que é considerado normal mesmo não fazendo parte de uma subcultura ou grupo específico (alguém bem diferentão como a Elke Maravilha ou a Cyndi Lauper), ou a vestimenta de pessoas de um grupo específico que não seja subcultural (um grupo religioso como os judeus hassidianos, por exemplo).

Massificação: O ato de vender um item originalmente impopular (pode ser subcultural ou não) para as massas (lembra da aula de Sociologia? Massa é aquele grupo de pessoas que apenas recebe a informação sem digeri-la). Antes de ser vendido em série, o produto passa por uma amenização (suavização) que o torna “usável e aceitável” socialmente, o que muitas vezes apaga seu conceito ou proposta original, já que as massas são pessoas que não costumam comprar pensando em ideias ou conceitos. Exemplos? Coturnos, o jeans rasgado do Kurt Cobain, batom preto (e outras cores escuras) que atualmente vc acha incrível na Lorde, camisas de banda, peças de couro sintético, camisas xadrez, jaquetas de couro, o sapato sem salto que a Lady Gaga usou...

Pronto, entendendo esses conceitos vc já pode embarcar na série sem medo.






Falta de informação/informações incorretas são coisas que me incomodam terrivelmente em qualquer circunstância, mas em moda é pior. Moda é uma forma de arte. Isso significa informação, expressão, conteúdo, mas as pessoas insistem em achar que é só trend, grife e desfile. Eu odeio a ideia que muitos têm sobre moda ser uma coisa inútil, quando ela é uma ferramenta de influência tão poderosa a ponto de ditar o que vc pode ou não usar sem que vc nem perceba. Se não acredita, dá uma olhada nas últimas peças que vc trouxe da Renner e me diga o que achas.

Mas também tem aquela coisa de muita gente não saber do trabalho que existe desde o surgimento de um conceito, a criação de peças e a montagem de coleções em cima desse conceito, a confecção, a organização de um desfile e a divulgação desse mesmo desfile até que se decida o que é ou não usável, pra só aí escolherem quais peças vão ser fabricadas em grande quantidade pra encher as araras das lojas de departamento frequentadas por aqueles mesmos serumaninhos que não têm noção do quanto é trabalhoso viver de moda.






Uma consequência direta da falta de informação ou da distribuição de informação distorcida são os conceitos ainda mais distorcidos sobre beleza, que por sua vez levam à propagação de pragas padrões sem sentido. Qualquer pessoa mal informada sobre um tema pode ser manipulada com facilidade. Uma pessoa nessa situação passa a rejeitar qualquer coisa que foge à regra e a seguir desesperadamente os modismos sem nunca questionar os próprios valores, tipo "fui eu que desenvolvi esse conceito com base naquilo que estudei ou acredito nisso simplesmente pq é o que me disseram pra fazer?", e eu acho que vc já sabe o quanto é perigoso ficar à mercê dos padrões dominantes, certo?

Um exemplo: uma pessoa que nunca leu a respeito da subcultura punk dos anos 70 jamais vai entender a razão do couro, dos spikes, piercings e do cabelo colorido que identificam um membro do grupo entre mil basic people, como também nunca deve ter parado pra pensar na razão que a faz considerar um visual oposto a essa estética como bonito e aceitável. Como eu já tinha dito nesse post aqui, o conceito do que é belo muda de época em época e de lugar para lugar. Mas o que eu não falei nesse post (e que é uma coisa óbvia), é que pra qualquer mudança chegar, alguém tem que se dispor a mexer no status quo. Lê um pouquinho sobre o contexto social, econômico, político, artístico e tudo mais na década de 70 e pode ser que vc não estranhe mais os motivos por trás do som sujo dos Sex Pistols e dos acordes simples em todos os discos de meia hora dos Ramones.

Só uma ressalva aqui: eu não tô dizendo pra tu adotar o visual punk e sair berrando God Save the Queen por aí, eu só tô querendo que vc repense seus conceitos, descubra os porquês e se informe. Informação é a moeda de troca do nosso tempo.


E esse é o primeiro post da série ^^ Espero que tenham gostado e pfv ignorem se eu não enchi de fontes e notas e referências pra vcs caçarem pq esses posts serão mais reflexões ou resumos de tudo o que eu já li sobre esses assuntos do que uma tese completa, ok?

Já adianto que o próximo tema vai ser a massificação, que tem ligação direta com a baixa qualidade de muita coisa que a gente vê pelas lojinhas da vida, e essa parte do assunto dá muito mais pano pra manga do que o que a que eu abordei hoje, creio eu.

Um beijo e até o próximo post! =)


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