Blogagem coletiva: Projeto Meninas Malvadas





*Meninas Malvadas ou quem nunca passou por aquela fase horrorosa de criar uma vida/imagem fake?*


Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Esse post tá mega atrasado por motivos de eu ter ficado sem internet no dia e horário que era pra ter postado, então vou deixar os favoritos de abril pra quarta feira, e sexta a BC do Blogs Up que foi estendida até maio o/

Mas esse post aqui precisava ser feito de qualquer jeito, primeiro por causa desse fucking tema que nunca sai de moda, segundo pq é a primeira vez que participo de um projeto no Blogueiras S/A (se tu é diferentão/alternativo/fora do padrão e quer compartilhar teu trabalho com pessoas assim, passa por lá).

Seu Oscar Wilde já avisava há tempos que a make fala mais que o rosto. Mas não era pra ser o contrário? Acontece que maquiagem é um negócio manipulável, e os humanos não resistem a nada que seja assim. Especialmente quando vc é mais novo, é muito fácil achar que fazer uma pintura com base nos padrões alheios é o melhor caminho pra felicidade e aceitação (pq vc também acredita que as duas andam sempre de mãos dadas). Mas agora que vc já cresceu, é hora de entender que não é bem assim.

Eu sei que não é.

Agora que eu tenho 23 anos e aprendi a não dar moral pra quem não merece eu me sinto feliz. Mas eu também já passei por situações parecidas com essa da protagonista do Meninas Malvadas. Não exatamente por querer andar com o pessoalzinho popular da escola (sempre tive nojo dessa coisa de ser popular), mas entre os próprios grupinhos de gente diferentona. É que o negócio não era tanto a aparência ou popularidade, e sim que eu acabei andando com algumas pessoas que talvez sem perceber me faziam ficar insatisfeita com a minha própria situação na vida. Sabe aquele seu ~amigo~ que vive contando vantagem, dizendo o que tem e o que não tem? Eu já fui próxima de gente assim. E isso não foi legal.

Quando vc passa muito tempo em companhia de pessoas desse tipo, é inevitável que vc comece com as comparações. O caminho que vc segue é até previsível. Ah, eu não tenho esse tipo de roupa. Eu não fui àquele show. Eu não tenho tantos amigos quanto gostaria (vc pode até chegar a substituir o gostaria por deveria aqui). E começa a reclamar. De tudo, de todos. Vc não consegue perceber o quanto a outra pessoa é chata e imatura por se comportar dessa maneira, pq vc também não tem maturidade. E sem maturidade, há espaço de sobra pra fragilidade, insegurança e outras coisas ruins.

No meu caso, eu não criei exatamente uma imagem fake, mas comecei a esconder muita coisa. Não falava sobre mim, nem sobre a minha família, nem nada da minha vida fora da escola. A pessoa que eles conheciam era a garota que estudava pra caramba, usava roupa preta e gostava de rock, mais nada. Eles não precisavam saber que eu não estava namorando e que eu não tinha dinheiro pra fazer tudo aquilo que queria.

(Se bem que até hoje eu não tenho todo o dinheiro que quero, sabe?)

De certa forma, esconder-se abre espaço pra que as pessoas desenvolvam um falso conceito sobre vc. E isso cria barreiras enormes.

Mas pq vc continuava ali se não estava feliz?, vc me pergunta. Pode parecer uma resposta idiota, mas é honesta: pq eu achava que não havia nada que eu pudesse fazer. Se eu me afastasse dali, pra onde eu iria? Quem pensaria em ter amizade como uma pessoa como eu? Além de tudo, a própria pessoa não se tocava da inconveniência, não fazia por mal.

Só que foi justamente quando me afastei, fui atirada pra longe e forçada a ver as coisas por outro ângulo que eu entendi o quão imbecil era a ideia que eu tinha da minha própria pessoa. Eu vi que na verdade eu tinha uma vida fácil, boa até, pq embora eu não tivesse tudo o que queria eu tinha o suficiente. Eu vi que apesar do meu conhecimento e habilidades parecerem bobagem pra mim, havia pessoas que tinham bem menos, e isso é tão triste quanto ver pessoas mais pobres do que vc em sentido material. Foi só quando me vi assim, em um lugar completamente diferente daquele em que estava acostumada, com pessoas diferentes, vivendo em circunstâncias diferentes, eu entendi que possuía riqueza interior e que não precisava ter medo ou vergonha de ser quem eu era, da vida que eu levava.

Hoje, depois de ter quebrado a cara quando poderia simplesmente ter caído fora dali e procurado outra turma, eu aprendi a minha lição.

Humanos não são perfeitos. Nesse mundo em que eles vivem, ser feliz 24hrs não é nada realista. Eles cometem erros, não têm tudo o que querem na hora que querem (mesmo se alguém for podre de rico), ficam de saco cheio e se envergonham de certas coisinhas. Mas, melhor de tudo, são capazes de fazer mudanças. A chave de tudo é essa: mudança. Pode não ser de casa, mas precisa ser de ponto de vista. De companhias, de rotina.

Pq com isso vem a experiência, a maturidade, o autoconhecimento. E com isso vem autoestima, o auto-respeito, a força. E quando vc tem isso, ser honesto consigo mesmo e com os outros chega a ser prazeroso. Sim, é libertador não precisar se esconder, sabe? Só chegar, fazer o que tem que fazer, dizer o que tem que dizer, e sair flw vlw.

Quando vc esquece essa história de fake e abraça seu verdadeiro eu, Menina Malvada nenhuma consegue te derrubar =)


E essa é a minha contribuição pro projeto ^^

Galera que participou:





Um beijo, e até o próximo post! =)

Só um P. S.: De todo o grupinho ~weird~ daquela época, eu sou a única que continuei interessada no universo alternativo ;)




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