Blogagem coletiva: A história que não saiu do capítulo 1

Essa foto tem mais a ver com a história do que vc imagina ;)





Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Sexta é dia de projetos e tal, então hj tem meu post pra BC do Blogs Up (na verdade tem tantos temas legais que ficou difícil escolher só um, então esse é o primeiro deles): postar o primeiro capítulo de uma história que vc não terminou e contar os motivos. Esse tema foi colocado na categoria Literatura.

E pra vc não ficar perdido, um pouco de contexto: esse primeiro capítulo se chama Na Ponte e faz parte de uma novela (pelo menos eu acho que ficaria bom como tal) chamada Brenna, que fala sobre um médico que encontrou por acidente uma garota desmaiada no caminho de casa. Como é instinto da profissão, ele faz questão de examinar a desconhecida e percebe que ela precisa urgente de internação. Ele dá meia volta e a leva pro hospital de onde ele tinha acabado de sair. Uma semana depois, ela acorda e ele repara no comportamento esquisito da criatura. Sem ter como contatar a família nem ter como deixá-la no hospital, ele resolve levar a guria pra casa dele.

Na verdade essa é uma história onde eu pretendia falar sobre a Síndrome de Asperger e o abuso doméstico, então a história iria bem longe. O motivo de eu não ter terminado é simples: eu sou um poço de preguiça, e mais tarde surgiram outras ideias mais fáceis de serem trabalhadas e aí eu acabei investindo nelas e  deixando essa aqui de lado. Mas não digo que desisti totalmente dela. Talvez só precise ter um novo momento com ela, sabe, writer stuff.

Sem mais, lê aí:


Na ponte

Três horas da manhã. A ponte praticamente vazia, três ou quatro outros veículos além do dele. Os faróis acesos davam a entender que estavam a uns dez metros uns dos outros. Nenhum pedestre. Tudo negro: a noite de lua nova, o chão de concreto que o farol não alcançava, a água do mar abaixo dali. Nenhuma surpresa, uma noite como todas as outras. Seu horário encerrara e agora ele dirigia de volta para casa, com e sem pressa ao mesmo tempo: ansiava cair na cama, mas não via qualquer razão para correr desesperadamente para uma casa vazia. Elvis cantava no rádio, mas ele não prestava muita atenção. O barulho era importante apenas para mantê-lo acordado. Engraçado como é o sono às vezes: poderia derrubá-lo por cima do volante e fazer o carro ultrapassar as barras metálicas para afundar no oceano, mas fugia dele como um rato quando ele saía do banho e se metia entre os lençóis.

Só havia três coisas que o impediam de pregar o olho ali: Elvis, a luz do farol iluminando os metros de chão à frente e o som baixo e abafado dos pneus passando sobre as lombadas da ponte. Ele conhecia o padrão e a distância entre cada uma delas; o som de quando passava sobre elas tinha um ritmo muito particular que ele havia decorado há tempos.

Era uma noite monótona como todas as outras, e o Dr. David Graham só queria chegar em casa.

A ponte parecia interminável, e Dave já estava começando a sentir enjoos, quando o farol direito do carro avistou algo no canto da ponte que acabou com a previsibilidade daquela noite. Dave pisou no freio imediatamente, e os pneus fizeram um som horrível.

Abriu a porta do carro e saiu sem se preocupar com a possibilidade de ser atropelado; não havia mais ninguém na ponte. Correu para o local onde avistara a coisa. Um susto: não era algo, era alguém. Deitado. Ou caído, o que era mais provável. Ele se aproximou, se aproximou... Duas pernas magras e brancas, estendidas, um tanto afastadas. Acima daí, um vestido que devia ter sido branco quando não estava sujo de algo pegajoso e vermelho. Dave se ajoelhou ao lado do corpo, que também tinha braços magros, pálidos e arranhados, um pescoço comprido e uma cabeça cheia de cabelos que formavam ondas negras sobre o rosto. Tomou o corpo nos braços, afastou os cabelos daí. Uma menina. Murmurava alguma coisa ininteligível; talvez um pedido de socorro. Em sua face pálida e magra havia duas coisas que ele vira inúmeras vezes em seus pacientes terminais: marcas de luta e sinais de exaustão.

A mão de Dave deslizou para a saia dela, hesitante em examinar por já saber do que se tratava. Ergueu o tecido e confirmou. Afastou a vista. Aquilo sim era nojento. Mas ele não tinha muito tempo. Pegou-a no colo e a levou para o carro. Colocou-a no banco ao lado do motorista e prendeu-a com o cinto de segurança. Então ignorou o que havia aprendido nas aulas de direção e deu meia-volta na ponte. A menina precisava ir para hospital imediatamente.


E esse é o primeiro capítulo da minha história abandonada </3 Espero que tenham gostado (se não, não tem problema) e me digam se vcs também tem histórias inacabadas esperando pra serem retomadas um dia, ou se vcs também curtem escrever coisas com essa temática psicológica/comportamental.


Um beijo e até o próximo post! =)




Comentários

  1. Definitivamente, essa não devia ser uma história abandonada. Fiquei com um gostinho de quero mais.

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    1. Oi, Karoline! Eu abandonei ela por enquanto kkkk pretendo fazer alguma coisa com ela, mas ainda não sei bem o que! Um beijo!

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  2. é sempre bom retomar as coisas de onde paramos,gostei muito

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  3. Caramba, eu amei. É digno de livro famoso! Pelo amor de deus, continua, por mim. Eu amei tua escrita, é o tipo de escrita que eu gostaria de ter. Detalhista mas não cansativa, que adiciona sabe, que faz a cena passar como um video passando nos olhos. A ideia é genial. Novamente, continua! E me chama.
    isabellefelicio.com

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    1. Isabelle, toda vez que eu fechava os olhos pensando em como continuar essa história a primeira coisa que eu via era o Dr. Dave dirigindo na ponte kkkkkk Não garanto que vou continuar, mas se continuar, eu t chamo sim!!

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  4. É muita crueldade postar um capítulo de uma história abandonada. E minha curiosidade? Pelo o que você contou, a ideia é muito boa mesmo. Volta com ela que quero saber o que acontece :P

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    1. E se eu te disser que esse tema específico foi sugerido por mim lá no grupo? MUAHAHAHA Mas em parte eu também gostaria de saber como prosseguir e no que isso vai resultar...

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  5. Isso daria uma ótima novela...quem sera essa misteriosa menina das pernas magras e brancas? a gente fica querendo saber o resto...

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    1. Novela é mais fácil de fazer do que romance, por ser menor, mas sei lá, não parece que essa história acabaria tão cedo kkkkkk Mas de qualquer forma, o que posso dizer é que a garota sobrevive e é humana. Inteiramente humana.

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  6. Nossa, que incrível. Fiquei com aquela vontadinha de quero mais. Haha.

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    1. haha agora tô tentando encontrar uma continuação digna! *-*

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  7. Continua! Fiquei curiosa pela história, e pelo o que você comentou na apresentação, o enredo dela é bem interessante! Sério, eu adoraria ter um livro com essa história em casa.
    Beijos

    www.juhlihipy.com

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    1. Nesse momento, Juh, estou tentando imaginar que destino dar pra essa história! hahaha eu realmente queria poder continá-la, pois trata de assuntos importantes!

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  8. Oie, tudo bem :) O lado ruim de deixar algumas histórias pela metade é que isso aumenta a curiosidade com relação ao seu final ou continuação rs Gostei bastante da história, o enredo é incrível, e com certeza seria bom saber o que vem depois. Beijos, Érika <3

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    1. Oi, td bem sim, Érika e vc? Pois então, esse lado ruim eu conheço bem pq o que mais tem na pasta do PC é história inacabada hahaha em alguns casos, já sei qual o final, mas essa aqui eu deixei em aberto...
      Um beijo!

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  9. Não abandona não, está muito bom, fiquei com vontade de continuar lendo!

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    1. Na verdade eu não abandonei ela totalmente. só preciso descobrir o que fazer com ela :P

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  10. AI MEU CORAÇÃO! Já quero a continuação! 💚

    www.somenteonecessario.com

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  11. Menina continue essa história, vai me matar de curiosidade.Vou esperar ansiosa.
    http://drigeise.blogspot.com.br/

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    1. Cara, até eu tô curiosa pra saber o que vai acontecer agora hahahaha Mas se continuar ou fizer qualquer coisa com ela, posto aqui!

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  12. Sério não para não! Sabe aquele gostinho de quero mais é assim que estou!! Porque sério esta muito bom ^^

    www.lekamundi.blogspot.com

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    1. ceis tão quase me convencendo a continuar! kkkkk Que bom que tu gostou, Leka!

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  13. Nossa, acho que seria uma história super pesada, forte... mas interessante.
    Espero que um dia cê consiga terminar!
    Beijos,.
    A Menina da Janela

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    1. Laura, é por isso mesmo que achei difícil continuar com ela, sei lá, eu meio que estou despreparada pra isso :P Quem sabe um dia ela fique pronta, né?

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  14. Deborah! Eu quero continuação disso, sério! Não é justo você deixar as pessoas com gosto de quero mais viu? Trabalhe bem na história que tenho certeza que vai superar cada vez mais, beijos :*

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    1. Valéria tô começando a ficar com a consciência pesada,cara </3 Mas como disse antes, se eu der continuidade a essa história ou quiser fazer qualquer outra coisa com ela, vou publicar aqui! um beijo!

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  15. Deborah, menina! TERMINE ESSA HISTÓRIA! hahahaha ~ Adorei o jeitinho que você escreveu, me prendeu até o final. Deixou-me curiosa pra saber o que vai acontecer com o Dr. e a garota! Adorei os detalhes que você adicionou na história e o clima do texto! Também tenho vários contos não terminados, vários textos na gaveta... velha história, de todo(a) blogueiro(a), né não.
    Parabéns pelo texto e pela escrita! Amei! Continue a escrever, please!

    Beijinhos,
    Sarah,
    http://pequenomundodesarah.blogspot.com.br/

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    1. Sarah, agora estou quase sendo convencida a continuar! hahaha Eu nunca dei muito por essa história, na verdade, pq achei que não estava à altura da proposta, que era escrever sobre psicologia e ética. E realmente, acho que é coisa de todo blogueiro e escritor deixar pedaço de história esquecido na gaveta kkkk Mas fico feliz que vc tenha gostado *-*

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  16. Sério que você abandonou ESSA história? *-* fiquei morrendo de vontade de saber o que acontece :v posta os outros, minha querida, POR FAVOR! :D
    beijos :*
    http://memorialices.blogspot.com.br/

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    1. Abandonar eu não abandonei, sabe, mas deixei ela de lado pq perdi meu "momento" com ela hahaha Se eu fizer alguma coisa com respeito a essa história (e mais importante, conseguir concluir essa coisa kkkkk) eu posto sim *-*
      Um beijo!!

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