Random: O dia em que me desculpei com um estranho


...Ou o dia em que dividi bolacha (ou biscoito, tanto faz) com o povo de Humanas.

Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Essa história tá comigo há um tempo e estava só esperando a hora de ser postada. Foi uma coisa incrível que aconteceu e que me arrancou lágrimas, sim, sem drama shakespeariano. Eu sabia exatamente como iria escrevê-la, mas... não sei, pensava que simplesmente não tinha chegado o momento. Mas aqui está.

Não vou detalhar muito, pro post não ficar cansativo. Foi há meses, num dia em que precisava resolver uns negócios em Jundiaí, e tinha ido sozinha, isto é, com Deus e meus headphones, companhias 24h. Foi na volta pra casa. Pra quem não conhece Jundiaí, no centro da cidade tem praças bacanas, e algo que eu amo é encontrar pedaços de natureza em zonas urbanas.

Pois bem, a única coisa chata (pelo na praça onde eu passava) são vendedores que te abordam no meio da travessia. Alguns são educados, já outros...

E em determinado ponto, escutei alguém chamando “Ô, moça! Ei, você!”. Eu, que já pensei que se tratava de um vendedor, olhei, meio desconfiada, a uns dois metros de distância do rapaz que tinha me chamado. Ele tava sentado sozinho fazendo flores com folhas de uma planta que esqueci o nome (me perdoem, não curto Biologia), daquelas que se faz chapéu e bolsa em feira de artesanato. Eu perguntei o que ele queria e ele disse que tinha algo pra me falar.

Bom, quem me conhece sabe da desconfiança que tenho com pessoas, e que eu não gosto quero dizer, detesto ser abordada na rua. Parei, não dei um passo sequer, e quando ele disse que era melhor que eu me aproximasse pra gente conversar, falei o seguinte “Mas de onde eu estou eu consigo te ouvir muito bem”. Ele até brincou, dizendo que tinha complexo de inferioridade e tal, mas eu não cheguei perto, nem um pouco. Então disse “Olha moço, se vc tá querendo vender alguma coisa, eu não tenho dinheiro, não”, só pra encerrar logo a conversa. Ele percebeu isso e falou uma coisa que nunca vou esquecer: “Olha, é esse mundo capitalista onde a gente vive que faz as pessoas pensarem assim. Eu só ia te entregar isso (uma das flores), mas vc não vai mais ganhar só pelo seu preconceito.

A cara que eu fiz quando ouvi isso certamente foi algo desse tipo:



Àquela altura eu já tinha recomeçado a andar, apressada, e ainda impaciente. Então, quando já estava longe e a cabeça tinha começado a esfriar, aí sim comecei a pensar. Eu sempre escutei que não se deve dar atenção a estranhos na rua, e entendo que isso não é 100% seguro, além disso já tive má sorte na rua por causa de vendedor intrometido e de assédio por parte de imbecis disfarçados de humanos, no entanto, será que isso é motivo (ou antes, desculpa) para má educação, falta de gentileza? Não. É claro que não. Não foi essa a educação que eu recebi.

Eu me conheço, e sabia que havia cometido um erro: não vou mentir, eu fui sim, rude com o homem das flores. Então eu decidi voltar. E pedir desculpas. Foi uma das coisas mais corajosas que já fiz na vida, devido ao meu desconforto a la Mr. Darcy em conversar com pessoas que não conheço/que não são meus amigos, e à incerteza se o encontraria no mesmo lugar ou se ele me receberia.


A cara que eu fiz quando o encontrei lá certamente foi algo desse tipo:

E agora, vou lá ou não? Falo alguma coisa ou não?


Mas pelo menos, não precisei passar pelo pesadelo de iniciar a conversa, pois quando estava chegando perto, ele me viu e começou a falar comigo (ainda no tom bem humorado), “Olha só ela de volta, a menina que ia ganhar a flor”. Assim, ficou mais fácil, confesso.

Cheguei, perguntei “Posso sentar aqui?”, ao lado dele na calçada, e ele falou que sim, e ainda brincou “Conte sua triste história. Eu sou psicólogo, mas cobro por hora”. Eu ri e pedi desculpas, e realmente contei uma história. Teve uma vez que fui abordada por um vendedor, em Jundiaí mesmo, que me pegou de surpresa e não foi nada educado: ele mal esperou eu olhar pra saber quem tinha me chamado e segurou meu braço, do nada (!!!) =O Eu me soltei, falei “Não, obg” e saí quase correndo, que absurdo. Desde então, nunca chego perto de ninguém na rua, e por conta dessa experiência negativa acabei sendo tão rude quanto esse vendedor. Triste.

Resultado: conseguimos resolver o assunto, e como eu estava com um pacote de bolacha na bolsa e morrendo de fome, dividi com ele e com algumas pessoas que estavam perto, super educadas, aliás, agradeceram, conversamos um pouco, e deu tudo certo.

A cara que eu fiz enquanto voltava pra casa certamente foi algo do tipo:



E o que eu aprendi com isso tudo? Que ninguém é perfeito, então todos estamos sujeitos a nos perder no caos da vida moderna e nos esquecer que ao nosso lado na correria existem pessoas com sentimentos iguais a nós, que esperam por respeito tanto quanto nós e que vez por outra se cansam da bagunça que as  cidades se tornaram e querem fazer alguma coisa pra tornar o dia dos outros um pouco mais bonito.

Que cautela na rua é importante, mas que nada, nada, mas NADA MESMO, é motivo justo pra ser mal educado com quem vc nem conhece, pq vc nunca sabe se a outra pessoa te abordou pq precisa de ajuda ou pq está pra fazer uma boa ação, sem esperar nada em troca.

E que a parte mais difícil em se desculpar é começar a falar, o resto, acreditem, é bem mais tranquilo.

Agora, sempre que saio, seja pra Jundiaí ou qualquer outro lugar, procuro olhar em volta e enxergar as pessoas antes de agir. Pq nós somos um tipo de refletor: quando passamos por experiências negativas, tendemos a absorver isso e passar a negatividade pra outras pessoas. Mas o mesmo pode acontecer com as coisas boas, então, já que a vida é tão cheia de dissabores, pq não ficar de olho no que podemos encontrar de bom e passar isso adiante na primeira oportunidade?

Gentileza nunca é demais.

 Um beijo e até o próximo post! =)




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