Resenha: Para Frances Burnett, todas as garotas são princesas



Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Enquanto ouço uma playlist que resolvi chamar de Pure Noir não se pq, e fico aqui enrolada no cobertor pois adoooro dia nublado, consigo me manter distante do PC (pelo menos uns 2m, se isso for digno de ser chamado de distância). E mesmo tendo meu novelo de lã roxa esperando pra ser transformado em cachecol antes que Agosto chegue, e um vestido torcendo pra que eu termine de customizá-lo no mesmo prazo, eu, como se tivesse pouco a fazer, resolvo usar o período até a hora do chá pra escrever umas palavras que por conveniência vou chamar de resenha, sobre um dos livros mais lindos que já li: A Princesinha (A Little Princess), da Francis H. Burnett. E sim, esse é o livro que inspirou aquele filme fofo e dramático de 1995, que é um dos meus favoritos desde sempre.

Pra quem não conhece nem o livro nem o filme (ou só um dos dois), AP conta a história de uma menina chamada Sarah Crewe, filha de um militar inglês que estava morando na Índia mas decidiu levar a garota para um colégio interno na Inglaterra, a escola para meninas da Srta. Minchin (E antes que alguém pergunte, no livro eles vão para o UK e não pra NYC como no filme).

Quando eles chegam, são recebidos muitíssimo bem pela diretora, Maria Minchin, que é na verdade uma mulher interesseira que conta ganhar uma recompensa por ter uma aluna como Sarah em sua escola, já que o Capitão Crewe é um homem rico. Mas enquanto Crewe fica satisfeito com a recepção (já que ouviu bons relatos sobre o colégio), a sua filha, que não é nem um pouco estúpida, fica com um pé atrás com a diretora.

E o tempo passa, e Sarah vai se adaptando ao lugar e acaba por se tornar muito popular entre as alunas, sendo até chamada de “Princesa Sarah”, por causa dos presentes ostentação que seu pai lhe mandava e pela sua inteligência e imaginação fora do comum, mesmo para uma criança de 7 anos. Ela juntava todas as amigas no seu quarto reservado para contar histórias, o que era seu passatempo preferido.

Mas como não podia deixar de ser, toda essa riqueza interior e exterior atrai inveja: primeiro de Lavínia, uma interna que era considerada a “favorita” antes da chegada de Sarah, e segundo, da própria Srta. Minchin, especialmente pelo fato de a pequena saber francês, coisa que ela própria morre de vergonha de dizer que não sabe. Além do que ela sempre se vê sem resposta às afirmações da criança.






Mas as coisas só começam a ficar realmente complicadas quando Sarah fica sabendo, no dia de seu aniversário (no meio da festa, aliás) que o Cap. Crewe morreu doente e falido. Sem ter quem tome conta dela e dos bens que ainda restam, nem ter como continuar pagando a estadia no colégio, ela é forçada pela Srta. Minchin a trabalhar como criada, o que fica ainda pior já que todos os outros empregados resolvem colocar a garota pra fazer os trabalhos que ninguém mais quer.

Nessa época horrível, Sarah conta com suas 3 melhores amigas pra seguir em frente: Hermengarda, uma menina gordinha com dificuldade nos estudos que recebe ajuda da “princesa”, Lottie, uma pequenininha do jardim de infância que se apegou a Sarah quando soube que ela também não tinha mãe, e Becky, uma mocinha que já trabalhava de criada antes da Sarah chegar, e com quem ela agora divide o sótão pra dormir.

E as três meninas são atraídas à Sarah pelo mesmo motivo: sua imaginação sem limites, que lhe dá a habilidade de inventar histórias sobre qualquer coisa ou pessoa, habilidade que também lhe ajudou a não cair no desespero quando se viu pobre, sem o pai que tanto amava, e sendo obrigada a trabalhar como uma escrava pra uma mulher que a detestava.

O que é mais tocante nisso tudo é que Sarah Crewe nunca perde a dignidade, mesmo fazendo trabalhos super pesados, passando dias sem refeições regulares, andando maltrapilha e levando insultos constantes da diretora e de outros criados. Ela continua sendo a mesma garota educada, bondosa e corajosa de sempre, ou "agindo como uma princesa", como dizem no livro.



"Eu sou uma princesa. Todas as garotas são. Mesmo que vivam em sótãos apertados e velhos. Mesmo que se vistam com trapos, mesmo que não sejam bonitas, inteligentes, ou jovens. Elas ainda são princesas. Todas nós. Seu pai nunca lhe disse isso? Nunca?"

Esse livro é em tudo impressionante, e eu achei muito mais emocionante do que a adaptação em filme (pra variar), já que fala de coisas que ainda acontecem hj em dia como maus tratos físicos e trabalho infantil, e nos deixa a mensagem de que qualquer pessoa pode passar por obstáculos sem perder a fé, muito embora eu ache alguns detalhes incômodos.

Por ex, a gente já conhece a Sarah como uma menina cheia de boas qualidades apesar da idade, e do fato de o pai a mimar um pouco (ou mais que um pouco), só que isso é tão raro de acontecer com uma criança com esse tipo de educação que chegar  a ser contraditório. Tmb percebi que autora não menciona nenhuma falha de personalidade específica da protagonista, e só uma única vez ela diz que a Sarah claramente cometeu uma injustiça.

Outra coisa que esperei ver tratada em mais detalhes e que me decepcionei um pouco foi o passado da Srta. Minchin, onde com certeza iríamos encontrar a razão de ela ser tão amarga e mesquinha. Felizmente existem algumas pistas que nos fazem criar teorias, como o fato de ela não gostar da irmã, Amélia, e a considerar uma tola (tradução: alguém com uma personalidade bem oposta à dela), não ter recebido o que na época seria uma “educação inglesa completa”, já que não fala francês, a inveja que ela tem do brilhantismo de Sarah, e o seu jeito implacável na perspectiva de ganhar dinheiro. Tudo isso parece deixar implícito que ela não levou a vida que desejava e que se essa "vida" era muito semelhante àquela que a garota Crewe levava no começo. 


As colegas da Sarah (pq é justo que elas apareçam aqui u.u)

Mas com tudo isso, recomendo o livro do mesmo jeito. Ninguém que lê pode deixar de reconhecer que é uma grande história. Em poucas páginas a autora consegue nos fazer lembrar que não interessa quantos imprevistos apareçam nem quão desafiadora é nossa situação atual, sempre haverá uma maneira de encontrar a felicidade. Mesmo bem jovem, a Sarah consegue ficar contente com as boas coisas que tem no momento em vez de ficar lamentando aquelas que perdeu. Mesmo quando as outras pessoas a tratam como alguém insignificante, ela continua a ver a si própria como a mesma princesa de antes, já que ser princesa é mais um conceito do que uma questão de usar roupas caras. Sarah escolheu seguir em frente com os recursos que estavam à mão: a coragem e a criatividade.

Isso é uma das coisas mais fascinantes na história toda: a felicidade não é impossível, ainda que as coisas não saiam exatamente como a gente planeja. É preciso enxergar o lado positivo, embora nem sempre seja fácil, não se esquecer de nosso próprio valor quando outros tentam diminuí-lo, e saber que encarar problemas é questão de escolha.

Mas o que eu mais gostei nessa história toda foi de recordar pra mim própria algo que os adultos esquecem facilmente e que as crianças não têm dificuldade nenhuma em entender: um pouco de imaginação muda qualquer coisa.


Um beijo e até o próximo post! =)


P. S..: tirando a primeira e a terceira imagem (que são random), as outras duas já estão creditadas ;)






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