Opinião e Música: Desabafo de Alice Glass e por que se ver livre de gente tóxica


Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

A primeira vez que eu escrevi sobre a Alice Glass aqui, eu tinha uma visão muito fixa sobre ela, e não muito diferente da que a maioria das pessoas tem quando a conhecem; a garota destemida e de língua afiada com suas performances insanas nos shows do Crystal Castles.

Mas isso mudou um pouquinho (ou mais do que eu gostaria) depois que ela postou no Facebook, junto com sua música nova, um depoimento contando que havia conseguido se livrar de um relacionamento tóxico.

Abaixo, print do depoimento dela, junto com o anúncio da música nova, Stillbirth. Segue a tradução (feita por mim, então não me atirem pedras por qualquer erro, please):

Anos atrás, iniciei o processo de me retirar de um relacionamento abusivo que começou quando eu era adolescente. Durante o curso dessa relação, eu fui sistematicamente afastada de todas as pessoas de quem deveria ser próxima. Eu era desvalorizada, gritavam comigo, era trancada em quartos, era criticada diariamente por causa das minhas habilidades, meu peso, minha aparência, minha inteligência, e quase por qualquer movimento meu. Quando não pude mais aguentar e quis terminar a relação, fui ameaçada, e então me foi dito que eu era amada, e o ciclo recomeçava.

Quero que moças e rapazes entendam que esse tipo de tratamento por parte de outros pode acontecer até nos lugares onde é menos esperado. Mesmo em ambientes que são estruturados com base na criatividade e na mentalidade aberta, que defendem ideias artísticas e contra culturais. Às vezes as pessoas vão usar essas coisas para se camuflarem, e então seu abuso passará despercebido. Então vc nem consideraria que isso esteja acontecendo bem diante de vc.

A clareza que ganhei quando caí fora dessa situação expandiu minha vida de um modo que não imaginava que fosse possível. Embora parte da dor e da raiva ainda persista, minha vida finalmente parece ter valor e sentido. Estou falando agora na esperança de que possa encorajar moças e rapazes a reafirmar seu valor dentro de seus relacionamentos, ou então caírem fora. O abuso nem sempre é óbvio e não precisa incluir olhos escuros, sangue e ossos quebrados. Abuso psicológico e emocional também pode ser muito danoso, e é extremamente difícil se livrar dele.

Aqueles que me conhecem pela minha carreira podem ficar surpresos em saber que alguém que publicamente passava a impressão de ser destemida e não estar nem aí pra ninguém pudesse se encontrar sendo severamente destratada e manipulada por alguém de quem era próxima. Essa pessoa chegou perto de me despir de mim mesma. E por anos senti como se quisessem que eu morresse.

Stillbirth foi escrita por mim e por Jupiter Keyes em nosso porão. Não há nenhum selo envolvido. Estará disponível no iTunes, Spotify, etc., a partir de 18 de Julho. Todos os lucros pelas compras digitais beneficiarão organizações (como a RAINN, sem fins lucrativos) que ajudam sobreviventes de abuso doméstica, violência sexual e incesto. Vc pode doar diretamente para eles no site donate.rainn.org ou através do meu site alice-glass.com

Há uma canção "irmã" de Stilbirth que espero lançar em breve, é uma canção de ninar e mal pode esperar para conhecer vcs.


Então, ela até admitiu que muita gente ficaria impressionada em saber que alguém como ela passava por isso, e essa história realmente me deu o que pensar. Só que o caso dela não foi o único que produziu esse efeito em mim na última semana.

“Relacionamentos tóxicos” foi o tema com que eu mais me deparei esses dias. Sim, na mesma semana vi um vídeo no canal da Lindsay Woods onde ela conta por que saiu de casa, e no El País uma matéria sobre pessoas manipuladoras, e por que se afastar delas.

Dia 20 foi o Dia do Amigo, e talvez seja por isso que o tema tenha mexido tanto comigo, já que seria bom se a gente reavaliasse de tempos em tempos o nosso conceito de amigo, bem como se as pessoas que estão perto de nós correspondem ao que se pode chamar assim. Caso contrário, é melhor fazer uma faxina na vida social, porque a última coisa que a gente precisa nessa vida cheia de desafios é de relacionamentos tóxicos.

Mas o que é isso, exatamente?

Obviamente, relacionamentos tóxicos são aqueles que nos fazem mal, porque estão longe de serem saudáveis. Não é exagero, conviver com determinadas pessoas é igual a mexer com produto tóxico: vc pode não ver os efeitos negativos de imediato, mas a longo prazo é certo que o estrago vai aparecer. Esse tipo de gente pode incluir, mas não se resume a: pessoas agressivas, arrogantes, egoístas, hipócritas, bem como gente que não sabe controlar a língua. Pior do que isso, tmb entra na conta gente manipuladora. Podem ser parceiros amorosos, colegas de escola, do emprego, vizinhos, e até alguns parentes. Sabe aquela pessoa que te coloca pra baixo na frente dos outros, faz brincadeiras que são desagradáveis? Ou aquela outra que te liga ou vem na sua casa e passa o tempo todo reclamando da vida ou falando mal dos outros? Ou ainda, aquele fulano que sutilmente vem lhe cobrar por alguma falta sua (“Ah, vc sumiu!”), quando na verdade vc está convencido de que não fez nada de errado? Pois é. Se vc conhece alguém que te faz se sentir culpado, envergonhado por algo sem importância, ou contaminado com o bicho da negatividade, pense duas vezes antes de usar a palavra amigo pra descrever essa pessoa.

Porque não. Nem tudo é o que parece.

Acho que a pior coisa sobre as pessoas tóxicas é que a gente pode se deparar com elas em praticamente qualquer lugar, mesmo em ambientes onde a liberdade de escolha e a mentalidade aberta são a regra, como a Alice destacou no seu depoimento, e além disso elas nem sempre são fáceis de detectar, já que o grande “talento” de muita gente imprestável é fazer de tudo pra parecer uma boa pessoa. E mentira, grande ou pequena, estraga qualquer relação.

Porque nem todo relacionamento ruim tem “cara” de relacionamento ruim; mas isso, é claro, não significa que faça bem. É claro que nem sempre dá pra evitar encontrar essas pessoas, então o negócio é ficar atento a quem te cerca e tentar detectá-las ainda nos primeiros contatos. Também, vez por outra a gente é forçada pelas circunstâncias a falar, a interagir com elas, mas é questão de escolha aprofundar as nossas ligações.

Então, não tenha medo de ir embora.

Pelo contrário, acredito que a gente tenha de sentir medo de se ver cercada de pessoas que não merecem a definição de amigos. Medo de ficar perto de gente que não te leva pra frente, que não te deixa confortável pra ser vc mesmo, que menospreza o que é importante pra vc. Medo de ficar perto de quem na verdade não aprendeu a se relacionar. Aquela máxima que diz que “a vida da gente só vai pra frente quando a gente se livra de quem nos puxa pra trás” é verdade. Então, ninguém é obrigado a manter na vida coisas (e pessoas) de que(m) não precisa. Ah, mas e o receio de magoar alguém? Olha, existe uma séria diferença entre mágoa e orgulho ferido. Amigo sente a primeira, já a segunda fica pra gente de outro tipo ;)

E esse é o post de hoje ^^ Espero que tenham gostado e fiquem com Stillbirth, nova música da Alice Glass com a letra o/ Espero ouvir logo a "irmã" dela e fico feliz em ver a Alice aproveitando a oportunidade pra fazer boas ações <3






P.S. 1: todas as imagens na velha fonte, WHI 

P. S. 2: Provavelmente não vai dar pra ver o vídeo da Lindsay, pq está marcado como privado agora, ela deve ter feito isso por causa dos comentários negativos.

Um beijo e até o próximo post! =)



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