Opinião: Por que você não tem nem metade da cultura que pensa ter


Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

Ontem mesmo tava lendo um site onde reproduziram uma excelente matéria da versão BR do El País que dá muito o que pensar sobre como os gostos musicais parecem refletir as diferenças entre as classes sociais. Então fiz uma coisa que evito ao máximo quando leio páginas de jornal na net: vi os comentários. Teve algumas pessoas que disseram que é triste o que aconteceu com o moço Cristiano Araújo, mas que realmente não curtem aquele tipo de música. Até aqui, ok.

Mas um usuário em especial deu a entender exatamente esse ponto de vista no seu comentário, e sem mais nem menos ele foi respondido de uma forma bem estúpida por outra usuária que o acusou de não ter cultura e de ser um ignorante por não conhecer o talento do dito cantor e um monte de asneiras que podiam ferir seus olhos se vc lesse até o final. Então, eu fiquei triste? Indignada com a falta de educação dela? Não, cara. Eu ri. Sim, internamente eu gargalhei com tanta bobagem. Quer saber pq?

Antes de começar a escrever esse post, resolvi olhar no Houaiss que tenho aqui na mesa pra saber o que ele diz sobre essa palavra tão linda que é cultura. E vê só: uma das definições é “Conjunto de padrões de comportamento, crenças, costumes, atividades, etc. de um grupo social”. E a seguinte é “Forma ou etapa evolutiva das tradições e dos valores de um lugar ou período específico.”

Em outras palavras, cultura, segundo o dicionário, é tudo o que cabe no HD de um grupo/povo/civilização, o que inclui o que esse grupo sabe, acredita, faz, e as suas manifestações artísticas, o que por sua vez inclui (HÁ!) a música. Ou então quer dizer as alterações que são feitas nesse HD, o que inclui estilos e tendências musicais que com o tempo vêm e vão.

Mas se é assim no caso de um único grupo, quem dirá o que acontece num lugar como o Brasil, onde todas as culturas se encontram?

Como o Brasil é uma população de uns 200 milhões de pessoas, no mínimo podem surgir umas 200 milhões de ideias sobre o que seria música boa ou música ruim, música que valha a pena e música que pode ser descartada. Mas se a gente lembrar que esses 200 MI são formados por pessoas de todas as idades, formações, classes sociais e origens étnicas, a conta fica muito mais complexa. Por isso, é mais que óbvio que não dá pra reduzir a ideia de “cultura” a um único conceito.

Então, a gente pode dizer que a cultura é como um grande quebra-cabeça, no qual cada um contribui com a sua peça pra formar um desenho único. Se no meu bairro eu gosto de rock, mas o vizinho da direita curte rap, o da esquerda new age, o de trás eletrônica e da frente samba, todos nós temos cultura sim, mas nenhum de nós tem metade da cultura que pensamos ou gostaríamos de ter, Pq a bagagem de cada um é só uma parte da cultura brasileira, que é muito grandiosa pra caber na bolsa de uma pessoa só.

Opa, eu sou obrigada a gostar e aprovar tudo o que tem por aí? Não, não é. 

Primeiro, pq a nossa diversidade é tanta que uma vida não é o bastante pra conhecer tudo, mesmo que a gente queira </3 

Segundo, pq tem a questão óbvia do gosto. Vc nunca vai apreciar tudo. Quem nunca se perguntou “Como fulano consegue gostar disso? É o cúmulo!” Eu mesma não gosto de música brega. Sério, odeio. Pq pra mim é repetitivo, é enjoado. Do meu ponto de vista, é um estilo que não me acrescenta nada, não bate com o meu conceito do que uma música tem que ter pra ser boa. Mas conheço gente que gosta, que se diverte com esse estilo. Gente que não compartilha da mesma ideia que eu. Como também conheço gente que se pergunta como eu posso ouvir determinados estilos, que pra eles são coisa de louco.

E isso não é desculpa pra falta de respeito, sabe? O respeito tem que estar sempre presente. É por isso que quando vc sobe no ônibus, já vê aquele aviso dizendo que se quiser ouvir música, só com os headphones. E que vc tem um limite pro volume do som do seu carro. E que vc tem hora pra colocar esse som. Pq o que pra vc é legal, é divertido, pra outra pessoa é um inferno, é um saco.

Capa do disco Café Branco, do músico mineiro Barulhista. É música brasileira, é parte da cultura daqui, sim.

E a conclusão é:

Que não, vc não tem nem metade da cultura que gosta de dizer que tem. Como eu também não tenho. Nós todos na verdade somos parte dessa coisa bonita que é a cultura, mas só se houver o respeito ao espaço, à escolha, ao gosto do outro.

Uma professora de História disse na nossa classe que “quando vc encontra uma pessoa, antes de falar que ela não tem cultura, pense primeiro, pq pode ser que a cultura dela simplesmente seja diferente da sua”. Um tapa que doeu na cara de todo mundo (inclusive na minha).

Então, vc que curte música “não popular”, cuidado quando for dizer que alguém não tem cultura, pq pode ser só uma maneira distinta de ver as coisas. E vc, que curte a música que hoje é popular, vai com calma pra não ser conservador, criticando quem tem gostos fora do comum. E pra todo mundo: saibam bem o que significam as coisas antes de sair por aí dizendo. Dicionários (on line e aquela edição velha da prateleira) estão aí pra dar uma força. Todo mundo tem cultura, mas só um pedaço dela quando tá sozinho. Só quando a gente tá junto e se respeita é que formamos algo completo.


//créditos na imagem//

Só uma obs.: as duas primeiras fotos do post eu achei no We Heart It, a capa do disco foi random (créditos ao autor), e a foto do Morcego já tá creditada.

Um beijo e até o próximo post! =)


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